Cabala – Árvore da vida

O Caminho dos Iniciados

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Cabala Kabballah Árvore da Vida

Cabala

A Cabala ou Kabbalah, em hebraico: קַבָּלָה, literalmente; também romanizada como Cabala, Qabbālâ, etc.; transliterações diferentes tendem a denotar tradições diferentes; é um método esotérico, disciplina e escola de pensamento no misticismo judaico.

Árvore da vida – O Caminho dos Iniciados

A “Árvore da Vida”, também chamada “Mundo das Sephirot” ou “Caminho da Sabedoria”, é o pilar da mística cabalista. Os textos aqui transcrito faz parte de uma série de aulas-conferências ministradas pelo mestre Rolland na sede da Fraternidade Iniciática de Rambash.

Por Mestre Rolland

O presente texto investe-se de capital importância por ter sido escrito por um mestre cabalista, o que confere o valor de autenticidade “mística”, ou seja, é menos um comentário exterior de que uma vivência. Espero assim atingir o propósito de dar aos leitores do Terapias PSC, uma ideia a mais abrangente e fiel possível do que é a Cabala.

Não considero uma aula o que vamos falar hoje. Vamos chamar a isto um comentário sobre os dez caminhos. Um comentário místico, um comentário filosófico, que nos vai dar uma ideia de uma Cabala nua, no mesmo sentido com que foi encarada na aula de ontem, nua através do tempo, das épocas, sem limitações, porque para nós ela sempre foi igual através dos tempos, ela nunca mudou.

Se alguma vez foi vestida, isto nunca foi aceito pelo cabalista puro. Explicando melhor: os elementos tradicionais ou religiosos que de alguma maneira foram vestindo essa Grande Verdade, tendendo a desfigurá-la através dos tempos, jamais foram aceitos.

Na filosofia do cabalista, do místico, do iniciado, se fala de esquema, uma senda marcada, onde os caminhos para ele representam as bases, os alicerces de toda sua mística. Possivelmente não pode haver Cabala sem isto, não pode haver mística sem isto. Podemos nomear os caminhos com os nomes que aqui utilizaremos, ou podemos também trocar os nomes, as formas e a estrutura. A essência permanecerá.

Nem as palavras nem a estrutura destes caminhos é o que verdadeiramente se constitui na mística. Possivelmente a árvore da vida e seus dez caminhos sejam o “jardim da infância”, ou melhor dizendo, o que o mundo gentio, profano, alheio, estranho conhece sobre o que é mística cabalista.

O místico vive tudo isto sem dar-lhe estas palavras, sem dar-lhe estes lugares no esquema. Não tem necessidade disto. Já o mundo necessita destes elementos para entender o que é Cabala e o místico, sem ironia nem soberba, e sem sorrir, diz: “bom, é a única coisa que podemos saber sobre nós”. Por sua vez não sente satisfação porque não sabem mais, mas tão poucos sente tristeza ou alegria. É como se aceitasse uma lei de que “as coisas têm que ser assim”.

Se o mundo fosse todo místico seria uma fatalidade, mas seria também brutal se neste mundo não existisse um “toque” de mística. Isto seria desastroso. Falta ao mundo mais mística do que a que é encontrada, mas não precisamos de forma alguma que ele seja totalmente místico. Graças a esse ponto de mística o homem tem a forma de homem(ar), senão seria só um animal(fogo), uma verdadeira besta. Vamos interpretar a parte filosófica de cada caminho, como o sente o cabalista.

O MÍSTICO NÃO SENTE DEUS, SE SENTE PARTE DE DEUS

MALKUT, que é o reino, é interpretado como a criação. A criação dentro da qual estamos vivendo, o reino de Deus, ou o reino da criação, o reino em si que é Deus. O cabalista nunca sentiu um Deus pessoal, nem sob a forma de um ídolo, também não sentiu a necessidade de templos, ídolos, colunas, deuses para adorar. Nunca esteve nessa dependência de adoração.

Sentiu-se a si mesmo integrado a Deus, integrado ao reino, integrado à criação. Deus e o Homem como uma unidade, Deus e o místico como uma unidade. Isto não quer dizer que o místico se sinta Deus, mas se sente parte de Deus, como toda a criação é parte de Deus e o homem é parte da criação; criação de uma suprema inteligência onde o homem toma parte e também cria. Quando mais o homem cria, mais está na criação, mais está em MALKUT. Mas de qualquer maneira o homem, por menos importante que seja, como um cavalo, um pássaro, uma mosca, está em MALKUT, é a criação. Tudo é “Kriação”.

A mística de MALKUT é sentir o universo com todo seu espaço, sentir os planetas, os outros astros, o sol, a lua e também uma mosca ou uma formiga e o sol, tudo pertence à mesma criação, tudo é o reino. Do reino não podemos tirar a formiga nem podemos tirar o sol, tudo é reino, uma formosa lei de criação e o homem a deve sentir, sentindo-se parte dela.

O homem é o eleito para poder sentir e compreender a criação. É o único privilegiado entre os seres vivos de nosso planeta – em outros planetas existirão outros que o compreendam – em sentir e compreender a criação.

Se o homem se sente parte da criação, deve querer a criação da mesma forma como quer a si. E o querer a criação, esse sentimento de unidade com ela o faz misticamente unido à palavra MALKUT. Da mesma forma como se preocupa em banhar-se, pentear-se, preocupa-se em como conservar uma formiga, um animal qualquer, como conservar o próximo.

Olhar para outro e pensar no “você” e em tudo o que o rodeia. Se ele se sente parte integrante de tudo o que o cerca e por sua vez um enamorado, porque ele é também a mosca, ele é também a formiga, ele é também o Sol, ele é também parte do Sol, então ele sente tudo isso parte de si mesmo e entra dentro da mística de MALKUT. Este MALKUT que é a criação entra depois de outra esfera que é YESOD. YESOD é o limite. Em hebraico se diz o limite entre “olam hazé” e o “olam habáh”, “este” e o outro mundo.

Neste caminho se abrem as vias: a “daqui” que se une a MALKUT e a “outra” até mais além. E onde termina o que nós podemos tocar e sentir da criação e a base do que não se vê. São os limites, as fronteiras. É a base do material, as duas bases, a de baixo e a de cima, limite ao mesmo tempo dos dois grandes caminhos: do universo que podemos tocar e sentir, e do universo que está mais além.

E a base e limite dos dois, é a linha divisória (é ele que divide). Por isso é a base de tudo. Sem YESOD não poderia haver nada. E também o limite do “tudo” e do “nada”. E “deste” mundo e do “outro” mundo, esta posição e a outra posição. Quer dizer que “este mundo” e o “outro mundo” se dividem em um caminho que nós chamamos YESOD. É a base das maiores formações místicas do homem, em seu razonamento místico, se podemos usar esta palavra.

Se primeiramente o homem toma a integração em MALKUT, sente a importância de MALKUT em si mesmo, sente-se parte de MALKUT, do reino, do universo, partindo daí vai aos limites e a partir dos limites pode cruzar a ponte.

Da mística de MALKUT – cada caminho tem a sua mística – não vamos falar, porque eu quero que vocês interpretem primeiro as bases filosóficas da mística, que se integrem no conceito do que representa cada caminho.

Depois de haver passado por YESOD, entramos na vitória: NETZAH. Se passamos os limites, entramos na vitória mística. Não é a vitória da vingança, nem a vitória do triunfo sobre os outros. Na mística, ao passar essas grandes fronteiras do homem, e saber diferenciá-las, sentir que passamos, que estamos passando por aí, chegamos a vitória.

Ao entrar em NETZAH devemos interpretar que é a vitória. Não vou falar da vitória espiritual sobre o material, de ter deixado para trás o “olam hazé”, de ter deixado para trás o reino, MALKUT, de ter deixado para trás as fronteiras, porque tudo o que integramos deixamos para trás e vamos em busca dos novos e maiores horizontes da mística.

Esse triunfo, essa vitória, que é? É uma vitória por ter conseguido cruzar a fronteira do mais além? É sentir que estamos vitoriosos. A vitória não é uma guerra ganha, o homem tem fracassos e triunfos, o homem tem muitas vitória e fracassos. Trata-se da vitória eterna que sua alma conseguiu. É definitiva. Esse espírito já está, não volta para trás, tem seu lugar vitorioso através do tempo, através do espaço.

A partir da vitória entra a seguir em outro plano. Na Cabala, se é vitorioso pode-se conformar consigo? Não. Sentir-se vitorioso impede que se sinta místico. Tem que ir à HOD, a Glória. Se parar em MALKUT terá apenas a pobreza de unicamente ter se integrado e não ter voado mais. E MALKUT é enorme. A MALKUT chegou Spinoza e no entanto, para o cabalista, é uma miséria. Spinoza, um dos maiores criadores da filosofia panteísta, da integração do homem com o universo, a natureza, que influiu em homens como Goethe, para o místico está somente em MALKUT.

Quando o místico se sente vitorioso tampouco é o fim do caminho. Tem que ir daí para à Glória. Que é a Glória? A recompensa? A honra?

A Glória é a PAX, a Cabala e felicidade espiritual de se ter sentido vitorioso. O vitorioso consegue esta pax e essa felicidade mística, mas não se trata de um conceito de felicidade, como o vitorioso não tem um conceito de vitória, nem a divisão é um conceito nem o reino é um conceito. Nem o que entendemos como reino é reino porque temos que entrar na mística do espaço, do universo, para entender o que é MALKUT e para entrar nas fronteiras e o que existe entre esse reino e o outro, além YESOD que tampouco tem conceitos.

Depois de passar tudo isso e se sentir que tudo foi superado e se entrou em uma vitória sem conceito de vitória e logo entrar em uma paz que o homem desconhece e que unicamente na mística se pode sentir, sem palavras; entramos em uma plataforma do mais elevado no plano espiritual: uma glória sem conceito de glória. As palavras, os conceitos, a filosofia se transformam em um “caminhozinho de formigas”, tudo se torna pequeno dentro da imensidão da mística.

Então o que o homem pode entender o que é beleza, depois da glória. O homem, cada homem, tem um conceito do belo, do formoso. Existe uma beleza que a arte transmite a uma maioria e há uma beleza que ninguém nega: um nascer do sol, um pôr-do-sol, um horizonte, uma flor. Na mística a beleza que tem conceito perde o valor.

Quando entra na glória, o homem perde o conceito até do que é glória para o homem, e entra em uma beleza pela qual começa um caminho. Chegamos a TIFERET.

A beleza é um caminho por onde começa a caminhar deixando para trás um glória estática. A beleza não é estática, muda, segundo a Cabala. Não há uma beleza que se mantenha igual: ou anoitecer e a beleza se torna obscura, ou em um céu nublado, as nuvens escondem o sol, ou a flor murcha, ou a mulher que hoje é bela amanhã se torna enrugada. O místico vê a beleza em movimento, brotando, uma flor se fecha, outra se abre, em um determinado lugar o sol se põe e vem a noite, mas em outro lugar ele se levanta e dá luz e beleza.

A beleza se move… E quando queremos encarar uma beleza estática temos que chamá-la de beleza morta. Deixa de ser beleza. O que um quadro feito pelo homem transmite constantemente através de sua arte, é uma beleza limitada, encerrada em um quadro que nem todos podem ver. Um quadro pode ser visto por cem, por mil pessoas, mas não por todo mundo…

Na mística se entende que se atinge a beleza quando a glória começa a caminhar. Começa TIFERET, começa mover-se. Esse movimento está relacionado com a alma, a reencarnação, o DIBUK. Para que alguém possa reencarnar como guia importante, como Mestre, tem que ter essa mobilidade da glória, essa beleza e essa mobilidade que é TIFERET.

já estamos caminhando. A glória, a paz começa a viajar. No entanto não é uma viagem, tampouco é móvel nem caminha com os pés. Sentimos que deixamos de estar estáticos. A paz começa a mover-se e tampouco é um movimento. Que palavras dar a isso? A mística não tem palavras para nada. Estamos apenas dentro de conceitos filosóficos. Enquanto podemos falar é unicamente falar.

Chegará o dia em que vocês irão sentir e não poderão expressar o que sentem, o que passou. Então concluirão que a glória, a vitória, a divisão, o reino se unem todos em um segundo. Todos se unem em uma milésima parte de segundo e começa a grande mística.

Sente-se tudo e não se consegue decifrar o que se sente. Tudo em um segundo.

Freud demonstra como, em um par de segundos, podemos sonhar que conhecemos uma mulher, convivemos com ela, tudo nos dois segundos que dura um sonho; neste caso o tempo desapareceu. Se um sonho pode acontecer em um segundo, um sonho imenso em dois segundos, como não podemos entender o que sucede na mística em um segundo?

Uma pessoa pode sonhar com um julgamento, uma sentença de morte e até a guilhotina na metade de um segundo. A ciência aceita este fato. Todo esse sonho sucedeu, possivelmente, no tempo que demorou um objeto para cair sobre o adormecido. Apenas uma fração de minuto. Em TIFERET, que nos desenhos é colocado no centro da árvore, é como se terminasse uma etapa mística. Termina uma etapa e começa outra, segundo a Cabala.

Se apenas penso em mim, unicamente em mim, quem sou? Se somente eu estou em paz, na beleza, quem sou? Isso não é mística, a Cabala.

Entramos então em HESED, a misericórdia. Nesse ponto o místico entra pela primeira vez na mística entre o eu e o tu… Busca uma comunicação, busca sua alma gêmea, busca ao outro na beleza, através do tempo e espaço. Se o místico é um solitário e pensa unicamente em sua mística e somente nele mesmo e em Deus, eu e a Divindade, por mais que tente elevar-se vai chegar até TIFERET, mas não avança mais. Não chegará a KETER da Cabala, não chegará à coroa do rei do mundo. Tem que passar pelo tu, pelo outro. Sem o tu, não vai chegar à montanha.

O místico tem que compartilhar essa beleza tem que unir-se como no reino tudo se une, o cavalo com a égua, a vaca com o touro, o homem com a mulher… Da beleza, de TIFERET, tem que compartir, para seguir até em cima.

Temos que entrar na misericórdia. Que quer dizer isso? Que temos que ajudar? Ajudar para nos sentirmos bem? Isso é um conceito religioso, moral, mas não místico.

Na mística, misericórdia é muito mais que ajudar, é sentir a pessoa, unir-se a ela, unir-se à sua alma, ao seu espírito e entre os dois formar uma força, uma GUEBURAH, porque sem união não há força.

A GUEBURAH é o resultado de uma união. E essa união que é uma grande combinação criadora de uma força daqui e de mais além. Neste reino a força da união forma a sociedade e a sociedade cria uma civilização, uma cultura; na mística forma também sabedoria, CHOKMAH. Aprende-se na união entre dois. Um só nunca pode aprender, porque tem de aprender de outro, sempre Tu. Possivelmente, aí começa a ter função o Mestre, depois de tantos caminhos…

Até aí o místico vai só, a partir daí começa a atuar o mestre. Na realidade, eu creio que sem mestre ninguém sente nem interpreta o reino nem o mundo em que vive.

HESED (a união) cria GUEBURAH (a força) e a partir disto entraremos em CHOKMAH (sabedoria). E quando estamos neste caminho de onde estamos nos compreendendo no mais alto misticismo, surge a luz, a inteligência, a grande inteligência: BINAH.

Da sabedoria, a inteligência divina de como chegar a KETER, ao ponto onde tudo se une, onde tudo perde seu conceito, onde tudo está, e sentimos apenas um brilho, como uma coroa que rodeia algo… envolvendo algo que é ininteligível, incompreensível, segundo a Cabala.

O Grande Reino abaixo e a Coroa em cima. Não pode haver um reino sem uma coroa acima e não pode haver um KETER sem reino abaixo. Para o místico apenas a partir de KETER se vê MALKUT e só partindo de MALKUT é possível chegar a KETER.

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